terça-feira, 15 de julho de 2008

De todo meu coração, para você!

Não estou hoje aqui para fazer um poema.
Tão pouco para tentar lhe conquistar falando sobre meu amor.
Estou hoje aqui como um simples homem,
Sem se esconder sobre a capa de criador, para expor a criatura.
Criatura que por mais que tente, é dominada pela natureza humana.
E sente medo, raiva, ciúmes, insegurança, pensando mais em si do que em quem está em sua volta.
Criatura que dentro de si tem uma boa porção de egoísmo, e que acha que sabe exatamente como lidar com toda essa sujeira. Numa atitude que mostra ainda a arrogância de achar ser melhor que alguém.
E é essa a criatura que vos fala. Com todo o carinho e desejo do mundo.
Por muitas vezes tive embates com minha psicóloga sobre estes sentimentos. Eu os renegava, achava tudo isso muito sujo, muito vil, não condizente com minha natureza, mas com o tempo fui aceitando, entendendo que quem foge de seus sentimentos foge de si mesmo.
Por isso quando te digo que estou em pânico, ou que me inspirei em minha tristeza, não é para cobrar-lhe nada, menos ainda para que fiques triste.
Digo, pois, hoje tenho orgulho de saber lidar com minha natureza, pois só assim posso controlá-la. Posso usá-la a meu favor. Transformar o que existe dentro de mim em força para continuar em frente.
Assim, cultivo o meu egoísmo de querê-la só para mim. Por isso eu entristeço, por que não a tenho por direito. Posso até sentir que a tenho em minha alma, sofrer da certeza de que serás minha. E ter a arrogância de achar que ninguém poderá te fazer tão feliz como eu.
E essa é a maneira mais sincera que encontrei de te contar quem sou. Apesar de presumir que em grande parte você já o sabe.
Mas o que posso fazer se tenho vivido essa experiência ilógica de amar alguém assim. Nessas condições surreais, que foram jogadas dentro de meu coração. Esse sentimento tão bom e tão inexplicável, que como você mesma disse, me faz parecer uma criança, na minha primeira paixão de colégio.
Isso me faz lembrar Friedrich Nietzsche em, talvez, sua mais famosa citação:
“Três transformações do espírito vos menciono: como o espírito se muda em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança.”
O camelo, grotescamente falando, é aquele que acha que precisa carregar todo o peso do mundo em suas costas. O leão é quando se tem a consciência de que já tem uma carga relativamente considerável de vida, então se assume a postura de um leão em sua arrogância. Desejando mostrar ao mundo quem se é, o que se sabe, o que se fez. E finalmente a criança é quando se percebe que não se sabe nada ainda, por mais que sabe muito. Gosto de pensar que a criança é aquela que admira a abelha pousada na janela, suas cores, suas formas, sua beleza, sem que haja conhecimento ou explicações lógicas para isso.
E isso você me trouxe, a beleza, a admiração, o amor, sem ter de haver uma lógica ou explicação. Por mais que tudo soe límpido como o mais puro cristal para mim.

Tenho certeza de que esses dias juntos serão mais mágicos que os de outrora. Pois a maior barreira de nossas almas já nós rompemos. Uma vez exposto o desejo, todo obstáculo me parece pequeno. Não sei como posso ter essa outra insana certeza, mas sei que após isso, você será profundamente minha.

Minha Flor, eu te adoro!
Seu pequeno.

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